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Do povo, para o povo e pelo povo 01/02/2018 15:41:52



Assim como outras grandes invenções ou descobertas da humanidade, a cerveja teria surgido por acaso na antiga Suméria, área onde hoje fica o Iraque. Há cerca de 6.000 a.C., uma reação química natural entre o amido presente em cereais maltados — trigo e cevada usados na época para fabricar pão —, água e ação de microorganismos daria início à criação do líquido alcoólico mais consumido atualmente em todo o planeta. 


No entanto, durante o período neolítico (que vai aproximadamente do décimo milênio a.C. ao terceiro milênio a.C.), há registros de fabricação do que seriam versões de cerveja em outras partes do planeta. Na província de Shaanxi, na China, foram encontrados vestígios de uma bebida feita a partir da fermentação de cereais como milho e cevada, além de tubérculos e gramíneas. Além disso, as civilizações pré-colombianas maias e incas utilizavam a chicha, que é uma bebida fermentada a partir do milho, na alimentação e nos rituais religiosos.


Associada ao lazer e à descontração popular, ao longo dos anos, a cerveja se tornou uma atividade que movimenta bilhões em volumes e cifras, envolve todos os setores da economia: primário, secundário e terciário e não para de se reinventar de forma a manter sempre cheios os copos de quem a produz, comercializa e consome.


Toque feminino

Passado, presente e futuro estão sempre se reencontrando quando o tema é cerveja. Prova disso, é o sucesso crescente dos rótulos artesanais fabricados por empreendedores que convivem, lado a lado, com marcas consagradas mundialmente, que saem da linha de produção dos grandes conglomerados cervejeiros, entre os quais, a Ambev, que nasceu no Brasil e é referência. 


Outra comprovação recai sobre o fato de que as mulheres têm, paulatinamente, retomado o papel de protagonistas em produção, distribuição, comercialização, divulgação e consumo da bebida pelo mundo afora. De acordo com bibliografia especializada, sites, blogs, etc., durante a História Antiga, o precioso líquido na Mesopotâmia, por volta do século 18 a.C, durante a primeira dinastia babilônica, que punia com a morte os maus fabricantes de cerveja.


Das massas

Como se vê, de várias maneiras, a cerveja sempre foi considerada um fluido vivificante, capaz de mobilizar massas, o que lhe conferia, inclusive, importância política. Sua popularidade tem relação estreita com essa mística de elixir das grandes massas, sendo, talvez há mais tempo do que se imagina, contraponto ao vinho, tradicionalmente associado às elites.


“Essa divisão entre cerveja e vinho também se deu por questões geográficas. No norte da Europa, África e Oriente Médio, a cerveja predominava em virtude das condições climáticas. Em contrapartida, na Europa Central e sul, houve o desenvolvimento da vitivinicultura. Por isso, o consumo de cerveja ficou associado aos povos bárbaros [no Império Romano, grande potência do Mundo Antigo, a bebida principal era o vinho]”, explica o diretor-geral da ESCM.


No período medieval, a produção de cerveja passa às mãos dos monastérios, tanto para consumo interno, quanto externo, mas as mulheres continuam à frente da produção. Os mosteiros mais antigos, dedicados a produzir cerveja, foram St.Gallen, na Suíça, e Weihenstephan e St. Emmeran, na Alemanha.


Naquela época, a cerveja teve papel importante, pois teria sido usada como um recurso a fi m de conter a disseminação da peste negra, pandemia que atingiu Europa e Ásia e matou, estima-se, perto de 100 milhões de pessoas entre 1343 e 1353. Embora fosse transmitida por ratos, a doença tinha como vetor a água contaminada. 


“As pessoas perceberam que aquelas que não bebiam água, não pegavam a enfermidade. Por conta disso, muitos vilarejos se encastelaram e passaram a consumir apenas cerveja”, conta Bressiani. Durante a Idade Antiga e Média, além de cereais era comum acrescentar à bebida ervas e frutas. Em virtude disso, na Era Moderna, foi criada a Lei da Pureza Alemã, Reinheitsgebot. Promulgada em 1516 pelo Duque Wilhelm IV da Baviera, basicamente, regulamentava que a cerveja somente poderia conter três ingredientes: malte, lúpulo e água. Na época, justificou-se que a lei visava garantir ao consumidor uma bebida pura sem qualquer tipo de “ingrediente exótico”.


Boom industrial

No Renascimento, a cerveja assume papel decisivo na expansão da urbanização e do desenvolvimento do setor terciário: a presença da bebida fica garantida em tavernas e hospedarias. Com a Revolução Industrial, em 1750, a produção de cerveja ganhou escala e, com isso, os homens passaram a ocupar o lugar, até então, das mulheres. Nascia, assim, a figura do mestre-cervejeiro e de uma das mais poderosas indústrias do mundo. 


Contudo, segundo Bressiani, a massificação da cerveja ocorreu, de fato, só após a 2a Guerra Mundial, uma vez que entre ela e a primeira houve uma forte escassez de matérias-primas e insumos, especialmente de garrafas. “Aos poucos, os grandes grupos cervejeiros foram modificando a fórmula da cerveja a fim de chegar a um padrão mais leve e refrescante para incentivar o consumo. 


Daí o predomínio dos tipos Lager [de baixa fermentação], claras e leves [Standard e Premium]”, explica o executivo da ESCM. No mundo, segundo a bibliografia especializada, os tipos Lager, Standard e Premium (que tem mais malte e álcool) detêm cerca de 85% do mercado de consumo. 


Outros 10% correspondem às cervejas especiais, artesanais e importadas, e 5% aos rótulos de alta fermentação do tipo Ale, como Porter, Stout, IPA e Bitter.

“A partir do fim dos anos 1970, é iniciado um processo de retomada das cervejarias artesanais na Inglaterra e depois nos Estados Unidos, com o surgimento da figura do homebrewer, termo utilizado para designar cervejeiro caseiro. A cada dia, mais pessoas se interessam pela cultura cervejeira, gostam de produzir sua própria bebida e discutir sobre o tema”, diz Bressiani.



Clique aqui e confira mais informações sobre Sabores e Histórias – Cerveja – Capítulo I

 



 

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